A LatamChequea participou do encontro global de verificadores em Vilnius, na Lituânia

A LatamChequea, a rede latino-americana de verificadores, esteve presente em mais uma edição do Global Fact, o encontro internacional que ocorre anualmente e que, nesta edição, foi realizado em Vilnius, na Lituânia.

O evento foi marcado pelos avanços da inteligência artificial e por discussões não apenas sobre como aproveitar essa tecnologia, mas também sobre regulamentação e o papel dos verificadores nessas discussões globais. Também foram compartilhados exemplos jornalísticos, educacionais e tecnológicos para que diferentes verificadores possam replicar projetos e aprender uns com os outros. E, especificamente neste ano, também foram compartilhados exemplos e diferentes técnicas de manipulação e interferência de informação estrangeira (FIMI), algo muito presente no país anfitrião e com relevância cada vez maior na América Latina

Entre os representantes da região no evento estavam cinco membros do Conselho da LatamChequea -Alejandra Gutiérrez Valdizán (Agência Ocote, da Guatemala), Andrés Cañizález (Cotejo, da Venezuela), Daniel Bramatti (Estadão Verifica, do Brasil), Daniela Mendoza (Verificado, do México) e Olivia Sohr (Chequeado, da Argentina)-, bem como cinco membros de diferentes veículos de mídia da rede que receberam bolsas da LatamChequea para participar do evento -Adrián González (Cazadores de Fake News, da Venezuela), Bernardo Costa (Estadão Verifica, do Brasil), Laura Zommer (Factchequeado, dos Estados Unidos), Marcela Duarte (Aos Fatos, do Brasil) e Marcelo Alejandro Blanco Gutierrez (Bolivia Verifica, da Bolívia)-. Isso foi possível graças ao projeto “Promover a informação confiável e combater a desinformação na América Latina”, coordenado pelo Chequeado em nível regional e financiado pela União Europeia.

A rede participou de diversos eventos: Olivia Sohr apresentou os relatórios sobre tendências de desinformação na região, elaborados trimestralmente pela LatamChequea, em uma palestra sobre como identificar tendências além de publicações pontuais; Laura Zommer conduziu palestras sobre alfabetização midiática e informacional (AMI) e sobre como captar a atenção do público com vídeos curtos; Marcela Duarte conduziu um debate sobre inteligência artificial e Bernardo Costa apresentou um trabalho de prebunking realizado com o apoio da IA.

Além disso, Franco Piccato (Chequeado, da Argentina) participou de um painel sobre o papel da IA como aliada dos verificadores de fatos, Matías Di Santi (Chequeado, da Argentina) apresentou o caso da “Oficina de Resposta Oficial” da Argentina, que supostamente verifica a veracidade das informações veiculadas pela mídia e por jornalistas, e Pedro Prata (Estadão Verifica, do Brasil) participou de um painel sobre desinformação climática. No final do evento, todos os latino-americanos participaram de um encontro regional com foco em como promover maiores colaborações intra-regionais e como inserir a visão regional nas discussões globais.

Vários membros da LatamChequea foram indicados para o Global Fact-Checking Awards deste ano e tivemos um vencedor: a EFE Verifica, da Espanha, venceu na categoria “Formatos criativos” com sua matéria especial “Notícias falsas, vítimas reais”. 

Além disso, na categoria “Colaboração”, foi indicada uma investigação do Los Desinformantes, coordenada pela LatamChequea e realizada pelo Estadão Verifica (Brasil), La Diaria Verifica (Uruguai) e Fast Check CL (Chile), na qual foram expostas contas nas redes sociais e políticos que distorcem o que ocorreu nas últimas ditaduras militares na Argentina, no Brasil, no Chile e no Uruguai, com uma linguagem voltada para os jovens a fim de alcançar novos públicos e fazendo com que as vítimas dos regimes militares revivam o trauma. O Estadão Verifica, do Brasil, também foi indicado na categoria “Impacto”, pois uma investigação regional da qual participou revelou uma rede que lucrava com a desinformação sobre vacinas, e organizações científicas, promotores federais e autoridades sanitárias do governo reagiram às descobertas. 

Também foram indicados o Maldita, da Espanha, na categoria “Colaboração”, por uma investigação sobre golpes relacionados ao transporte público, e o Newtral, da Espanha, na categoria “Formatos criativos”, por uma investigação sobre uma história falsa de uma mulher que supostamente viajou para a Síria para se alistar em milícias. 

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