A rede latino-americana de verificadores LatamChequea repudia os ataques a verificadores equatorianos e apela à proteção da verificação independente e transparente.
A rede latino-americana de verificadores, LatamChequea, manifesta sua especial preocupação diante dos ataques, assédio e violência digital contra os verificadores do Ecuador Chequea e da Lupa Media, membros da LatamChequea, em um contexto de restrições à liberdade de imprensa no Equador.
De acordo com o último relatório de 2026 da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), o Equador foi o segundo país do mundo e o primeiro na América Latina onde a liberdade de imprensa sofreu a maior queda no último ano, ocupando a 125ª posição entre 180 nações analisadas. Após o assassinato, em 2025, de Darwin Baque e Patricio Aguilar, a organização alertou, no início de 2026, sobre uma escalada de ameaças de morte contra jornalistas e criticou não apenas a inércia das autoridades em proteger a imprensa, mas também sua tendência a restringi-la.
Nesse contexto, os ataques digitais sofridos por verificadores independentes nas últimas semanas são mais um sinal do clima de hostilidade que se observa no Equador e em diversos países da América Latina contra as organizações independentes de jornalismo de verificação, que desempenham um papel fundamental na luta contra a desinformação e em prol da prestação de contas.
A LatamChequea também ressalta a importância da transparência nas iniciativas independentes de verificação, especialmente em seus métodos, equipes editoriais e financiamento. Há anos observamos na região o surgimento de supostas iniciativas de fact checking que não divulgam seus métodos, agem com viés em suas publicações e são opacas quanto à sua equipe editorial ou financiamento, algo que também ocorre no Equador. E, em alguns casos, são até mesmo impulsionadas diretamente pelos governos.
Esses projetos, que buscam se aproveitar da confiança que o público deposita nos meios de verificação, acabam prejudicando o trabalho dos verificadores independentes. Ao se apropriarem de formatos, rótulos e classificações associados à verificação de fatos sem cumprir padrões básicos de transparência, independência e rigor metodológico, contribuem para degradar o valor público da verificação e banalizar uma ferramenta fundamental para o debate democrático informado.
O jornalismo de verificação é fundamental para sustentar a qualidade das democracias da nossa região. Como rede de verificadores, reiteramos que, para sustentar o direito humano à informação, é necessário que os verificadores independentes possam realizar seu trabalho com liberdade.

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